Gestão organizacional disruptiva: inteligência coletiva

Construir o futuro a partir das relações humanas significa criar um mundo mais justo, empático e colaborativo, onde a conexão entre as pessoas é  o centro das transformações sociais e tecnológicas.

Ao longo da história humana várias tecnologias disruptivas mudaram completamente nosso viver social. Citando as principais temos:

  • A revolução agrícola cujo impacto foi a formação de comunidades estáveis e o desenvolvimento de estruturas sociais complexas, como as instituições sociais e a política. No entanto, ao mesmo tempo emergiram as desigualdades sociais com a concentração de terras e riquezas nas mãos de alguns. E isso perdura até hoje.
  • Com a revolução industrial surgiram as cidades industriais,  a urbanização acelerada e a criação de novas classes sociais, como a burguesia industrial e o proletariado. Junto com isso emergiram as condições precárias de trabalho e a poluição ambiental que cresceu a ponto de se tornar um grande problema para a sobrevivência de todas as espécies planetárias, inclusive a nossa.  
  • Atualmente com a revolução digital robôs industriais, algoritmos inteligentes e big data estão remodelando setores inteiros da economia. As “fakes news”, tão antigas quanto a humanidade, tornaram-se um problema de difícil solução dada a velocidade com que as informações circulam. A ética das IA ´ s, a proteção dos dados pessoais e  a exclusão digital também se tornaram grandes desafios sociais.

É interessante também descobrir como a gestão de pessoas evoluiu ao longo do tempo: de estruturas rígidas e centralizadas para modelos flexíveis, ágeis e centrados nas pessoas.

  • Na primeira revolução industrial (séculos XVIII a XIX) Frederick Taylor introduziu métodos científicos para otimizar o trabalho e aumentar a eficiência: divisão do trabalho, padronização de tarefas, controle rigoroso e supervisão direta.  No entanto, o foco excessivo na eficiência reduzia a motivação e o bem-estar dos trabalhadores.
  • Na segunda revolução industrial (final do século XIX e início do século XX) a gestão organizacional evoluiu para lidar com grandes fábricas e produção em massa. Henry Fayol (administração clássica) desenvolveu princípios administrativos que enfatizavam a estrutura e a hierarquia: autoridade, disciplina e ênfase na organização e planejamento. No entanto, o foco excessivo na eficiência reduzia a motivação e o bem-estar dos trabalhadores. Max Weber propôs a burocracia como modelo de gestão eficiente: regras e procedimentos claros, hierarquia bem definida, impessoalidade nas relações de trabalho. Porém, a burocracia excessiva e a lentidão na tomada de decisões eram um problema.
  • Na terceira revolução industrial (século XX) com a chegada da informática e da automação a atenção passou a se concentrar nas pessoas, ao invés de apenas nas máquinas: valorização da motivação e da satisfação dos funcionários e a importância da comunicação e das relações interpessoais. Aqui começa a necessidade de equilibrar produtividade e bem-estar. A gestão passou a considerar que não há uma abordagem única, mas sim que depende do contexto e do ambiente.
  • Na quarta revolução industrial (século XXI) com as tecnologias digitais, inteligência artificial e análise de dados, a gestão está mais centrada no capital humano e no fortalecimento da cultura organizacional: tomada de decisões descentralizada, foco no cliente e adaptação rápida. Os grandes desafios são manter uma cultura organizacional em ambientes rápidos e colaborativos e manter o equilíbrio entre tecnologia e humanização no ambiente de trabalho.

O padrão é bem claro: na primeira e segunda revoluções industriais o foco da gestão eram as máquinas: eficiência da produção. Na terceira e quarta revoluções industriais o foco passa para as pessoas: bem estar e cultura organizacional.

A quarta revolução industrial é sobre como integrar tecnologias ao cotidiano sem perder de vista a importância das relações humanas. A perspectiva relacional garante que o progresso tecnológico caminhe lado a lado com o fortalecimento dos laços sociais, promovendo uma sociedade mais equilibrada e inclusiva.

A tecnologia não pode substituir as conexões humanas, mas sim aprimorá-las. Manter o foco nas relações humanas garante que as inovações sejam usadas para facilitar a cooperação, melhorar a comunicação e fortalecer os laços sociais. O grande desafio é criar ferramentas digitais que respeitem a ética, a privacidade e promovam interações significativas, evitando que as pessoas se sintam desumanizadas ou isoladas.

O trabalho híbrido e remoto, por exemplo, desafia as empresas a manterem conexões fortes e equipes engajadas, mesmo à distância. Promover uma cultura de colaboração e confiança é fundamental. É importante evitar a fragmentação das equipes e garantir que as relações interpessoais continuem fortes, mesmo em ambientes digitais.

A inclusão digital é fundamental para garantir que todas as pessoas se beneficiem dos avanços tecnológicos. Isso fortalece os laços sociais e reduz desigualdades.  É essencial promover a democratização do acesso à tecnologia e capacitar as pessoas para lidar com inovações disruptivas.

A gestão tradicional, focada em hierarquias rígidas, já não funciona bem no contexto da Quarta Revolução Industrial. A liderança precisa ser mais relacional e empática. Líderes que valorizam as relações humanas promovem ambientes de trabalho colaborativos e inovadores. A gestão ágil depende de uma comunicação aberta e de relações de confiança. Um líder conecta, tece relações e melhora o tecido social da organização. O foco passa para a inteligência coletiva, promovendo apoio mútuo e empatia.